Sexta-feira, 2 de Maio de 2008
Pobrezinha
                        
Nas nossas duas sinas tão contrárias
Um pelo outro somos ignorados!
Sou filha de regiões imaginárias,
Tu pisas mundos firmes já pisados.
 
Trago no olhar visões extraordinárias
De coisas que abracei de olhos fechados...
Em mim não trago nada, como os párias...
Só tenho os astros, como deserdados...
 
E das tuas riquezas e de ti
Nada me deste e eu nada recebi
Nem um beijo que passa e consola
 
E o meu corpo, minh`alma e coração
Tudo em risos pousei na tua mão! ...
...AH! Como é bom um pobre das esmola! ...
                                                     Florbela Espanca
 
 
 

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publicado por Andreia às 10:52
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